Metáfora

Ela havia perdido um filho, e não podia fazer disso uma metáfora. Os outros rebentos não substituiriam aquele que se foi. Andava pela rua procurando o que já não existia, o que um dia deixou de ser, de fazer parte, de ser alegria. Essa mudança em sua vida não podia ser comparada, nem substituida. Lágrimas não eram simplesmente água do mar com seu habitual gosto salgado. Era dor, falta, e desejo de ir-se embora também. Nada mais poderia ser metáfora a partir de agora.