Foi bom enquanto durou para sempre!

Não tenho como não admitir que sempre fui fascinado pelo tempo. Desde criança vendo relojoeiros e escutando tic-tacs. Hoje os relojoeiros estão em vias de extinção, mas o tempo não; ou será que o mesmo já foi extinto? Ou será que nunca existiu?

O tempo do relógio não é o tempo do espírito. Kant já falava disso, já falava sobre isso em uma expressão no mínimo medonha e assustadora que chamou de imperativo categórico a priori.

Ao contrário do espaço que é condição para a minha existência – sem espaço eu não estou, eu não sou -, o tempo sempre pode ser moldado ao meu pensar ao meu prazer ou não. Deixando um pouco de lado o terror da máxima “tempo é dinheiro”, tempo não é dinheiro, tempo não tem passado, nem presente, nem futuro, muito menos dinheiro.

Me lembro de Bergson e de seu tempo único, que não pode ser invadido, nem penetrado em sua duração. Duração é criação – assim como o tempo -, é como se por exemplo estivessemos fazendo algo que muito gostamos, então o tempo faz-se voar, sendo que o oposto também é verdadeiro. Começo a fazer minhas pazes com o tempo, afinal ele é que é meu servo e não o contrário. Sou eu quem cria a sua duração, e não o contrário, que me fabricava anseios de mais tic-tacs.