¿Qué escribo?

As vezes fico longos períodos sem escrever, e gosto que assim o seja, quero tempo para ver e sentir o mundo. Antes de escrever quero viver, ser bon vivant, acompanhado ou não, isso não me faz a menor diferença. Clarice – Lispector – já disse certa vez que “escrever vale menos do que um cachorro vivo”, e ela tem toda razão; posso até dizer que escrever vale menos que um gato morto na soleira da porta.

Mas você se acostuma, como nos acostumamos a tudo – só que não devíamos -, já diria Marina Colasanti. Quanto a escrever, sobre o que escrevo eu? Posso afirmar que escrevo sobre tudo, não existe e acredito que não deva existir um único tema, uma única direção. Não se deve possuir apenas um estilo, mas sim vários, e neles trabalhar, dia e noite. Contos, poesias, psicanálise, existem “dicas” em todos os lugares. Mas as vezes eles também estão vazios… E talvez assim devam continuar; nem tudo foi feito para ser preenchido, devem e são necessários os espaços vazios, os tempos despovoados, vazados pelo silêncio ou no máximo pelo canto de um pássaro.

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